Defesa de Tese – Prospecção fitoquímica e atividades biológicas de extratos aquosos de folhas de plantas nativas do Bioma Caatinga
Data da publicação: 21 de janeiro de 2026 Categoria: Sem categoriaData: 29/01/2026 – 9h
Autor(a): Elisabeth Mariano Batista – Matr.: 486185
Banca Examinadora:
Profª. Drª. Luciana de Siqueira Oliveira – orientadora – UFC
Drª. Celli Rodrigues Muniz – EMBRAPA
Drª. Lorena Mara Alexandre e Silva – EMBRAPA
Profª. Drª. Maria do Socorro Moura Rufino – UNILAB
Prof. Dr. Paulo Iury Gomes Nunes – UNIATENEU
Suplente
Prof. Dr. Elenilson de Godoy Alves Filho – Professor visitante
Local: Sala de aula do PPGCTA.
Resumo:
Esta pesquisa, estruturada em quatro capítulos, investigou o potencial bioativo de cinco espécies de plantas medicinais brasileiras amplamente encontradas no bioma Caatinga: Lippia origanoides, Amburana cearensis, Justicia pectoralis, Libidibia ferrea e Spondias mombin. O primeiro capítulo corresponde a uma revisão bibliográfica focada em dados etnofarmacológicos, fitoquímicos e farmacológicos sobre as espécies-alvo, destacando seu uso tradicional, os principais metabólitos identificados e atividades biológicas como antimicrobiana, antioxidante, anti-inflamatória e antidiabética. A revisão revelou que essas matrizes são ricas em compostos com elevada atividade biológica, mas também evidenciou uma lacuna de estudos clínicos que dificultam sua aplicação terapêutica ou alimentícia. O segundo capítulo apresenta um estudo cienciométrico com análise de 183 artigos indexados na Web of Science (1991–2024), conduzida com os softwares VOSviewer e Bibliometrix. Os resultados indicaram o Brasil como principal polo de pesquisa sobre essas espécies, com predominância de estudos pré-clínicos, foco em L. ferrea e escassez de investigações sobre toxicidade e eficácia clínica, evidenciando desafios para a inovação farmacêutica. O terceiro capítulo compreende a investigação dos efeitos antidiabéticos in vitro dos extratos aquosos das cinco espécies por meio da inibição das enzimas α-glicosidase e dissacaridases intestinais, além da caracterização fitoquímica por espectrometria de massas (ESI-QTOF/MS) e ensaios de toxicidade em embriões de zebrafish (Danio rerio). Destaca-se que L. origanoides, A. cearensis e J. pectoralis apresentaram elevada atividade inibitória, com identificação de flavonoides e ácidos fenólicos bioativos, como isoquercitrina, ácido eudesmico e hiperósido, e baixa toxicidade para L. origanoides e A. cearensis. Por fim, o quarto capítulo apresenta a avaliação dos extratos quanto à composição fitoquímica (via RMN e UPLC-HRMS), potencial antioxidante (DPPH, ABTS, FRAP) e atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Listeria monocytogenes e Salmonella Typhimurium. Os resultados mostraram que L. ferrea e L. origanoides foram os extratos mais eficazes, com baixos valores de MIC e MBC, além de forte atividade antioxidante correlacionada ao teor fenólico. A microscopia eletrônica de transmissão evidenciou alterações estruturais nas bactérias tratadas. Em geral, o estudo evidencia o potencial biotecnológico dessas espécies em formulações naturais com ações antioxidantes, antimicrobianas e antidiabéticas, mas reforça a necessidade de ensaios clínicos e validação toxicológica para seu uso seguro e eficaz.
Palavras-chave:
plantas medicinais; fitoquímica; antidiabéticos naturais; antimicrobianos de origem vegetal; compostos fenólicos.
