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Universidade Federal do Ceará
Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos

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550 – Saberes alimentares tradicionais: Tecnologias alimentares em comunidades Quilombolas do Ceará

Data da publicação: 22 de outubro de 2026 Categoria: Sem categoria

Data: 30/10/2026 – 14h

Autor(a):  Iury de Melo Venancio – Matr.: 569157

Banca Examinadora:

Prof. Dr. Paulo Henrique Machado de Sousa – orientador – PPGCTA

Profª. Drª. Claudia Soares Pinto Mesquita – UFRJ

Profª. Drª. Lourence Cristiane Alves – UFBA

Suplente

Drª. Uiara Maria Oliveira Martins

Local: Ambiente virtual – Plataforma Meet

Resumo:

Diante do avanço de processos de homogeneização cultural, colonialidade do saber e apagamento de saberes tradicionais, este trabalho propõe o registro, análise e valorização dos saberes alimentares tradicionais junto a 10 comunidades quilombolas do Ceará. A partir de uma abordagem interdisciplinar, a pesquisa propõe um diálogo entre os campos da ciência e tecnologia de alimentos e das ciências sociais, posicionando os saberes tradicionais em seu lugar de direito como fontes legítimas de conhecimento e, ao mesmo tempo, contrariando a lógica do extrativismo acadêmico ao reivindicar a coautoria territorial das comunidades. A metodologia adaptou princípios da pesquisa centrada em sujeitos, da pesquisa-ação-participação e dos inventários participativos, combinando rodas de conversa, observação participante, entrevistas semiestruturadas e diários de campo. Foram registradas 633 práticas alimentares, organizadas em quatro eixos analíticos: Saberes das cozinhas, Saberes das roças e quintais, Saberes da caça, pesca e criação e Saberes tecnológicos, identidade e memória. Os dados indicaram a relevância da tríade mandioca, milho e feijão como importante base alimentar e de repertório tecnológico e culinário. Roças e quintais apareceram como espaços de sustentação da soberania alimentar, da circulação de saberes e do bem-viver. Também foram identificados fatores de risco à continuidade de inúmeras práticas, tais como a ausência do título de posse dos territórios e pressões da urbanização. Como estratégia de práxis política de intervenção sociopolítica e de popularização dos resultados da pesquisa, diferentes ações de valorização e divulgação dos saberes quilombolas foram realizadas alcançando um público estimado de mais de 13 mil pessoas. Por fim, o estudo incentiva que novas pesquisas acerca das práticas alimentares quilombolas sejam realizadas, ampliando horizontes na produção científicas pluriepistêmicas e contribuindo com ações de intervenção de realidades.

Palavras-chave:

saberes tradicionais; tecnologias alimentares; comunidades quilombolas; cultura alimentar; soberania alimentar.

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